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Resenha: Armin Egger no Instituto Cervantes de Brasília

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Na terça, dia 22 de março de 2010, o austríaco Armin Egger tocou na série Guitarrissimo, do Instituto Cervantes de Brasília, em apresentação única no Brasil. O evento contou com a colaboração da Embaixada da Áustria em Brasília.

Armin, que está numa turnê pela América do Sul e chegou recentemente do Peru, brindou a platéia brasiliense com um programa de compositores espanhóis, com as Variações sobre um tema da Flauta Mágica, op 9 de Sor, Granada e Cádiz, de Isaac Albéniz, Fantasia "La Traviata", de Julian Arcas e Gran Solo, op. 14 de Sor na primeira parte e a Sonatina de Federico Moreno Torroba e quatro peças de Tárrega (Alborada, Capricho Árabe, Recuerdos de la Alhambra e Gran Jota Aragonesa) na segunda. De bis, o Prelúdio 1 de Villa-Lobos.

Armin Egger tem uma sonoridade muito limpa e precisa, muito agradável de ouvir. Ao longo da apresentação ele mostrava respeitar muito os limites de dinâmica do seu instrumento, dosando com cuidado os ff para não sair um som estourado e os pp para serem audíveis. Em princípio essa característica dava a impressão de uma dinâmica com poucos contrastes, porém ocorreu um incidente que me fez crer que esse problema não era fruto da limitação do violonista: o instrumento foi amplificado e, ao voltar para a segunda parte, a amplificação ficou alguns minutos desligada. Ao religar, ficou claro que a amplificação estava comprimindo os extremos de dinâmica e tornando os pp mais fortes e os ff mais fracos.

Me encantou especialmente um fraseado simples e natural das melodias e a maneira clara, precisa e quase didática com que ele encadeava as harmonias (principalmente retardos, cadências de resolução, etc.). Estruturas da música que estamos acostumados a ouvir como sendo apenas figuração num canto da cena eram expostos tão nos holofotes que revelava coisas belas que sempre estiveram na partitura mas não se davam a existência deles.

Achei também muito interessante uma série de escolhas musicais não tão óbvias para violonistas, que são muito mais comuns de serem feitas por pianistas. Nas composições da primeira parte isso ficou mais claro, e achei de muito bom gosto essas escolhas.

A apresentação foi filmada pela TV Cultura de Brasília, e espero que em breve os amantes do violão que não tiveram a oportunidade de ver esse competentíssimo violonista ao vivo possam apreciar a arte de Armin Egger.

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Última atualização em Qua, 24 de Março de 2010 23:20  

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