O Violão na república – I

O fenômeno do piano junto às camadas mais elevadas da sociedade, como demonstramos anteriormente, não foi somente na cidade de São Paulo. Aconteceu em um âmbito nacional principalmente nas grandes capitais. No entanto, outro fenômeno – desta vez econômico e social – ajudará a manter vivo o uso do violão junto a população. O fim da escravidão no Brasil e o forte comércio na cultura do café irão, ao longo dos anos, dar impulso ao desenvolvimento da cidade que ao longo de cinquenta anos se transformará de uma simples cidade em uma metrópole.

A cultura do café irá fornecer capital para o desenvolvimento urbano da cidade e sua expansão por todo o chamado ‘Campos de Piratininga’. Mesmo com o contingente de ex-escravos, a mão de obra era insuficiente e fez com que a imigração – principalmente da Itália – se intensificasse. Estes imigrantes trazem consigo o gosto pela música e consigo o violão.

chegada dos imigrantes em São Paulo

A cidade de São Paulo mantém-se então como um grande caldeirão cultural em que, paralelamente, irão se fundir. Temos então o batuque dos negros, encontrados principalmente nas festas religiosas; o gosto pelas serenatas que, como vimos anteriormente, era um hábito típico promovido pelos estudantes e mercadores da cidade; e por último a cultura musical trazida pelos italianos que aqui vieram trabalhar nas plantações de café. Promovido pelos barões, o desenvolvimento industrial irá necessitar também de grande mão de obra e também o surgimento de várias outras profissões e ofícios antes inexistentes na cidade causando, ao longo de todo este século, um crescimento desordenado. De 1820 até 1870 a cidade permaneceu com as mesmas características de uma capital colonial.

Em um período de cinquenta anos o seu desenvolvimento foi estrondoso. Contava-se em 1922 com 64.491 prédios e com uma população de 650.000 habitantes.

Surge então uma nova classe social em São Paulo: os operários. E é junto a esta população que o violão irá se difundir e se aprimorar criando uma linguagem própria da música popular brasileira. É junto as populações de bairros como Mooca, Brás e Barra Funda que a música irá se desenvolver e, ao longo dos anos, fornecer grandes músicos de grande sucesso nacional e internacional. Esta junção de culturas e ritmos dos moradores da cidade não foi isenta de criticas. Couto de Magalhães escreveu reclamando sobre os gostos dos italianos que, com o “uso da prosaica e fúnebre sanfona ia se extinguindo a poética e indígena viola ou guarará.”

Mas mesmo diante de reclamações em prol do saudosismo e das tradições, a música começa a se fundir. Durante as festas religiosas da cidade começa a se ouvir a mistura entre as batucadas e a viola caipira.

Paralelamente à música popular em São Paulo, inicia-se no começo do século a visita de grandes violonistas de fama internacional em São Paulo. Com isso, ao longo dos anos irá se formar, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro e posteriormente em outras capitais, agremiações e um movimento muito forte para o estudo sistemático do violão bem como seu aperfeiçoamento técnico.

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