O Violão no Período Colonial e no Império – III

O hábito e o gosto pela música paulistanos se faz sentir também no início do século XIX e, sempre presente com ele, o uso da guitarra. O viajante Beyer comentou em 1813 que “o canto e a música eram talentos comuns, em que especialmente as mulheres revelaram muita graça e facilidade mostrando-se desembaraçadas na harpa, na guitarra e no piano.” Já em 1815, início do vice reinado com Dom João VI, a viola possuía seis cordas como os atuais violões. Novamente é manifesto a preferência da viola junto ao gosto da população. Outro viajante, Von Martius, comenta:

“É aqui a viola, tanto quanto no sul da Europa, o instrumento favorito.”

Podia observar, ao longo do século XIX, o uso do violão principalmente como acompanhados das cantorias do povo paulistano. Segundo Vieira Bueno, “os roceiros estacionavam na rua das Casinhas para venderem as mercadorias de seus sítios e, à noite cantavam suas modinhas e batucavam a toque de viola”.

Como sempre, a música fazia-se ouvir por toda a cidade, desde os mercadores até mesmo nas procissões como das igrejas de São Bento e do Rosário dos Pretos, quando os escravos cantavam e dançavam os seus sambas, seus batuques e caiapós.

Largo de São Gonçalo (1887) – Atual Praça João Mendes

Além disso, após a inauguração da faculdade de Direito do Largo São Francisco, os estudantes praticavam suas serenatas nas noites de luar. Eram verdadeiros concertos realizados geralmente no Largo de São Gonçalo, onde famílias inteiras ficavam passeando pelo local ou se sentavam nas escadarias da igreja da Sé.

Segundo uma estatística de 1822, havia na cidade três violeiros – fabricantes de viola – e cinco músicos profissionais.

Aos poucos a população da cidade foi sentindo a ausência de teatros para sua diversão. Com isso são fundados os teatros na cidade como o São José e a Casa da Ópera. Esses teatros, quando não possuíam artistas para se apresentarem eram entregues aos próprios estudantes para fazerem suas apresentações e festas.

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