O Violão na década de 30 – II

O violão sempre esteve presente também no cotidiano da sociedade. Independente de qual a classe social o músico pertença, o violão, desde o século XVI, é um instrumento de fácil aprendizado e fácil adaptação a qualquer ritmo e, sendo de baixo custo e de fácil transporte, encontrado junto do povo paulistano em toda a área urbana de São Paulo.

Como vimos anteriormente, o mesmo violão esteve e está até os dias de hoje presente em todas as manifestações musicais do povo, sejam elas religiosas ou profanas. Presente nas festas dos padroeiros das igrejas e na formação do samba urbano nos dias de carnaval, o violão somente deixou de ser usado nas ruas quando, em detrimento de conduzir um maior número de pessoas, a percussão aumenta o número de componentes ensurdecendo o violão e o cavaquinho.

Carnaval na Av. São João (1937)

Usado principalmente pela classe operária, foi amplamente usado durante o carnaval nos chamados grupos de choro que, ao longo da década de trinta será chamado de Regionais pelas rádios. Estes grupos de choro tinham a mesma constituição instrumental dos grupos de serestas e estudantes paulistas do século passado. O grupo de choro da Camisa Verde, segundo Zezinho da Casa Verde, em 1914 tinha seis violões, seis ou sete cavaquinhos, saxofone e clarinete. Esses grupos de choro, quando fora da época de carnaval, tocavam nos finais de semana nos fundos das casas. Aos domingos, as chamadas rodas de choro ou de pagode (um tipo de samba de roda improvisado) tornaram-se verdadeiras escolas do violão tipicamente brasileiro.

A partir da década de 30 muitos cordões carnavalescos já não traziam consigo os grupos de choro. Um bom exemplo é a Vai-Vai. Sobre a organização destes grupos na década de 30, Mário de Andrade nos dá uma boa descrição:

“Posso afirmar com bastante certeza que o samba, como o jongo não congrega instrumentos acompanhantes com a menor intenção de obter qualquer espécie de pequena orquestra. O instrumento usado é exclusivamente de percussão, e quem quer concorre a ele com instrumento que quer”.

ANDRADE, Mário de, Ensaio sobre a Música Brasileira, São Paulo: Livraria Martins Editora, 1928 p. 190

No entanto, o desaparecimento dos grupos de choro dos cordões carnavalescos não foi de imediato e sim gradativo. Ao longo dos anos os instrumentos melódicos – de menor volume sonoro – foram dando lugar aos instrumentos de percussão que, conforme afirmamos anteriormente, com maior volume eram necessários para a condução do maior número de foliões. Mario de Andrade relate essa transição:

“Os instrumentos que aparecem no samba, e já comercializados, são apenas o bumbo e a caixa (…) Em 1934 o instrumental era mais precário e desorganizado. Havia até um violão, de resto absolutamente nulo.(…) Um dos negros carregava um cavaquinho. Não o tocava não, penosamente inútil na barulheira”.

ANDRADE, Mário de, Op. Cit., p. 194-195

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