O Violão no Período Colonial e no Império – II

A cidade de São Paulo mantém uma particularidade histórica em relação as demais capitais brasileiras. Devido a sua localização geográfica e aos sucessivos ataques de indígenas à vila de Piratininga, São Paulo permanecerá durante quase dois séculos uma pequena vila de descendentes de portugueses e espanhóis esquecida do resto do país. As mercadorias trazidas da Metrópole eram difíceis de serem obtidas. Tecidos eram raros.

A maioria dos hábitos dos paulistanos era, em grande parte, contribuição dos indígenas. Com isso imaginamos que realmente o passatempo predileto e possível nesta vila fosse mesmo as cantorias. Ao longo do século XVIII, a vila de Piratininga foi quase dada como abandonada. Sua população decresceu em relação as demais vilas da capitania como Itú, Sorocaba e Taubaté.

Largo São Francisco (foto de Militão Augusto de Azevedo – 1860)

Tal fato deveu-se ao movimento das Bandeiras. A maioria dos paulistanos se locomoviam ao interior do país em busca de escravos e posteriormente em busca de ouro e pedras preciosas.

São Paulo só voltará a crescer com a fundação do curso de direito no largo de São Francisco já no século XIX.

Ao longo destes três séculos é bem provável que a prática de cantar acompanhado da viola ou da guitarra se manteve presente no cotidiano da população. No entanto quase não existe registro desses instrumentos. Segundo a pesquisa realizada por Ernani Silva Bruno, Alcântara Machado – que pesquisou vários inventários do período colonial de São Paulo – achou pouquíssimos instrumentos mencionados nos inventários. Segundo Bruno, ele encontrou somente seis violas de pinho do Reino, ‘com tastos de cordas’, uma guitarra, uma ‘harpa velha com sua chave’ e uma ‘citara com roda de rendas’.

Acreditamos que a ausência desses instrumentos junto aos inventários paulistanos se dá através da provável doação desses instrumentos, ou seja, iam passando de mão em mão, de gerações a gerações.

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