O Alaúde

Com o desenvolvimento da harmonia e da polifonia nos séculos XV e XVI, todos os instrumentos de caráter polifônico começaram a desenvolver-se rapidamente, e o alaúde atinge uma grande importância durante a Renascença. A sua popularidade verifica-se em toda a Europa, exceto na Espanha, onde depois da tomada de Granada em 1492 passou a ser preferida a vihuela.

É importante notar que no século XVI o alaúde era considerado em toda a Europa o “instrumento-rei” e gozava de grande popularidade na Espanha sendo depois substituído pela vihuela. O Alaúde é um instrumento de cordas beliscadas. Ocupa um lugar muito importante na música instrumental dos séculos XVI e XVII. É descendente direto de um instrumento persa ou árabe chamado ud semelhante à antiga “guitarra mourisca”.

Foi introduzido na Espanha no século XII ou XIII (Al-‘ud, donde derivou para laud em espanhol, laude, em português [que deu alaúde] e lut, em francês arcaico). A respeito da sua forma definitiva, adaptada depois dos finais do séc. XIV, a caixa do alaúde tem o aspecto de uma meia pêra. O seu dorso convexo e formado por 9 a 40 “costelas”, coladas umas às outras. No tampo, de pinho, tem esculpida uma bela rosácea ornamentada. O braço está dividido em trastos (ou «tons») como a guitarra. Na extremidade, coloca-se perpendicularmente as cravelhas. O instrumento clássico tem 5 cordas duplas e uma corda simples. A chanterelle, cuja afinação nunca cessou de variar. A mais freqüentemente adotada foi a afinação “velho tom”. No séc. XVI (Sol-Dó-Fá, Lá-Ré-Sol, subindo) ou a afinação “nova” do séc. XVII (Lá-Ré-Fá-Ré-Fá).

As cordas suplementares de baixo eram por vezes esticadas fora do braço, dando origem a uma variedade de instrumentos mais importantes, de braço muito longo, munido de dois cravelhais: «arquialaúde», «tiorba» ou «chitarrone», muitas vezes de uma grande beleza. A música para alaúde era escrita de forma simplificada. A tablatura consistia na diagramação da posição dos dedos nas cordas. O seu repertório é amplo e envolve todo tipo de dança e ricercare, além de árias e peças de maior fôlego. A ascensão da música histórica aumentou o repertório, via transcrições. Hoje é um instrumento apreciado nos conservatórios e salas de concerto.

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